Mariposa

 Escrevi esse conto mais como um exercício, queria escrever algo que não fosse fantasia. Achei que ficou bem legal, mas né, minha opinião não conta...



Mariposa


 Naquele momento, sentado no escuro, com um copo de uísque na mão, tive um momento de lucidez. Não foi loucura trazida pelo álcool, mas foi como se a cortina que obstruía minha visão esse tempo todo houvesse caído. Sempre pensei que fosse um humano, mas talvez eu estivesse errado.  Fui tratado como um animal, desde o maldito dia em que nasci.
 Quando criança, vivi com meus pais em um bairro de classe média. Ele, um operário qualquer, programado para viver a rotina e não sair dela. Enquanto minha mãe, fingia cuidar de um salão de beleza, embora quase todo o bairro soubesse o que ela realmente fazia.
 Todo bairro, com exceção do meu velho e tolo pai. Chovia naquela noite, quando ele chegou da rua, furioso e cheirando a cachaça, batendo a porta com violência. As agressões verbais foram só as preliminares do espetáculo que viria em seguida. Com meus seis anos, fiquei embaixo da mesa, assustado demais para sequer respirar, enquanto via os socos e chutes com os quais ele destruía sua esposa.
 Depois disso, meu pai fugiu, desaparecendo de nossas vidas. Minha mãe foi ficando cada vez mais distante, o que me deixou bem solitário. Mas os anos se passaram, e ela continuou com seus meios de ganhar dinheiro.
 Na escola, as crianças zombavam dela. Chamavam-na de puta, e coisas piores. E por mais que as enfrentasse, sempre apareciam mais. Se brigava com uma, no dia seguinte haveriam três me esperando. Voltando para casa sempre cheio de hematomas, ainda assim, minha mãe não pareceu se importar muito.
 Foi quando a depressão profunda caiu sobre ela. Nunca soube do por que. Ela me fez ir morar com uma tia, irmã dela. E tempos depois, se suicidou, sozinha, no banheiro. A tia nunca teve muito apreço por minha pessoa, deixando sempre claro o quão incômodo eu havia me tornado.
 Sai da casa dela ainda com dezesseis, indo morar com uns amigos, onde trabalhei em um desmanche de carros, fazendo desde coisas simples até roubos. Ganhei um bom dinheiro naquela época
Anos depois, me envolveria com lutas clandestinas, que realmente me fizeram ganhar muito dinheiro. Eram eventos em lugares escondidos, com transmissões pela internet, em sites não muito acessíveis. Rolava muita aposta, e muitos figurões do submundo estavam envolvidos.
 Nesses dias eu fui empurrado, espancado, desmontado peça por peça. Lutei contra homens muito maiores que eu, e nem sempre vencia. Fraturas se tornaram algo frequente em minha vida. Mas o dinheiro fazia tudo valer a pena.
 Sabe aqueles filmes bonitos que passam nos cinemas? Onde o casal se encontra por obra do destino? Aconteceu algo assim comigo. Conheci Andréia, uma enfermeira, que fazia bicos tratando clandestinamente os lutadores quebrados.
 Vivemos um romance intenso e apaixonado, até nos casarmos. Continuei com as lutas por alguns anos, e ela com os trabalhos clandestinos, e conseguimos comprar a nossa casa, onde teríamos nossos filhos e seríamos felizes.
 Como uma mariposa, eu voei em direção as chamas. E minhas asas se queimaram. Ela descobriu estar com um câncer agressivo, e o tratamento não foi nada barato. Mesmo com o dinheiro das lutas, precisei pedir empréstimos aos organizadores. Mais de uma vez.
 Eu dei o meu melhor, lutei até minha alma sangrar. Mas falhei. Andréia não resistiu as constantes seções de quimio, e novamente estava sozinho nesse mundo. Endividado, perdi a casa, e quebrado por dentro, fui apanhando cada vez mais nas lutas.
 Tudo se tornou nada. A felicidade se tornou um tormento contínuo. Podia ouvi-la chorar, ao meu lado, toda vez que ia dormir. Chorando, dizendo que queria andar de bicicleta, pelo menos mais uma vez. Tomar um bom milk shake, e quem sabe, ir no cinema.
Eu não sou um herói, ou um vilão, nem ao menos um Deus, eu sou apenas um homem, olhando através da ampulheta para as pegadas na areia. Estou tirando minha armadura. Minhas batalhas aqui estão feitas, acenarei minha bandeira branca para me render, e voar para o sol.
 Sentado naquela poltrona, no pequeno cubículo em que vivo, concluo que tudo chegou ao seu derradeiro fim. Os agiotas para quem estou devendo estão vindo me cobrar. Irão entrar por aquela porta, e me bater, até ter de minha parte uma promessa da qual não posso cumprir. Vão pisar no meu orgulho, e me fazer lamber suas botas, enquanto prometo até mesmo trabalhar para pagar a dívida.

 O martelo embaixo da poltrona aguarda para resolver a situação. Com violência vivi minha vida, com violência irei termina-la. Que minha lápide seja forjada por sangue, e que minha partida possa, ao menos, ecoar em um noticiário.



 Esse conto veio por causa dessa música. E que múscia!!!


O sábio imperador

  Mais um conto galera! To tentando desenvolver uma mitologia pro meu livro, e esse contos estão pipocando aqui e ali.


O povo de Khoe sempre foi diferente dos demais povos que se espalharam por Eternal. A começar por sua aparência, possuem olhos esteiros e sagazes. Seu modo de luta também difere, são em sua maioria, mais honrados e contidos, e resolvem um combate, na maioria das vezes, em apenas um golpe, limpo e bem executado, com suas espadas longas chamadas de katanas.
Mas a maior diferença, é que o povo de Khoe serve ao deus da morte, Batros. A vida, de acordo com eles, é regida pela morte, pois é ela quem define sua extensão. Entretanto, são um povo que prega a paz, e seus guerreiros tendem a evitar o confronto.
Nos dias antigos, Khoe era governado por um homem muito sábio, o imperador Ging. Sua inteligência era incomparável, e muitos vinham até ele trazer enigmas que consideravam impossíveis de se solucionar, e o nobre rapidamente encontrava uma solução.
Tal sabedoria se refletiu em todas as áreas do reino, que prosperou grandemente. E, como não poderia ser diferente, despertou a inveja de seus vizinhos. Gerbadre, um dos reis de Helfigar, o reino dos anões, começou uma campanha de guerra conta Khoe. A guerra da rocha contra o ferro.
O que se diz era que Gerbadre era um dos seres favoritos da deusa da guerra, Hellia, e que a mesma o apoiava em todas as suas incursões. Dessa forma, Khoe foi sendo, aos poucos derrotada.
Ging desafiou Gerbadre para um duelo, mas não um envolvendo armas, mas sim um jogo de astúcia e estratégia, chamado Xingul.
Ging era invencível nesse jogo.
“ Ora, meu bom imperador “ disse Gerbadre “ certamente irá me vencer, que vantagem tenho eu neste duelo, se estou vencendo esta guerra? “
“ Ainda não propus meus termos”, respondeu o imperador “ jogaremos apostando alto. Se eu vencer, suas tropas irão recuar, e irá por fim a esta guerra. Meu povo lhe pagará tributo, e nunca mais pisarão os pés em meu reino. ”
“ Mas se me derrotares”, continuou Ging, “ Lhe darei a arma mais preciosa feita em meu reino, a espada Killigai, uma arma que não encontrará em nenhum lugar do mundo, pois jaz escondida em um túmulo secreto de nosso povo. “
Armas mágicas sempre despertam a cobiça dos anões, e Gerbadre aceitou o desafio. Khoe já comemorava o final da guerra, pois a vitória de seu imperador era certa. Mas Ging perdeu. E a espada lendária foi entregue ao anão. Pouco depois disso, Gerbadre liderava o maior ataque já visto contra a capital de Khoe.
Empunhando a Killigai, o anão tomou a frente do combate. Foi aí que a astúcia de Ging se mostrou.
Killigai era uma espada maldita, que fora forjada pelo próprio Batros, em segredo. Se ela for empunhada, libertária uma maldição terrível, que devoraria as almas de todos que estivessem por perto, que não possuíssem a marca do deus da morte.
O exército anão caiu pela maldição, e bateu em retirada, sendo depois perseguido pelos soldados vitoriosos de Khoe. Gerbadre teve sua alma devorada pela espada. Ging ganhou ainda mais notoriedade após esse feito.
Entretanto, Hellia se enfureceu.
A deusa da guerra criou uma maldição, e a chamou de Seol. Lançou-a sobre Ging.
Aos poucos, a sabedoria do imperador se converteu em loucura. Ging foi se tornando um homem paranoico, agressivo e irracional. Declarou guerra contra muitos de seus vassalos, os acusando de traição, e em acessos de fúria, matou seus filhos. Não era mais tão inteligente, e isso o deixava profundamente amargurado.
Aos poucos, foi perdendo a sanidade, até ser deposto, e aprisionado em algum lugar onde não pudesse ferir ninguém. Mas Ging despareceu, sendo encontrado algum tempo depois, morto, com uma espada cravada em seu corpo.
Em um último momento de sanidade, Ging empunhou a Killigai, e com ela, se matou. Dizem que sua alma ficou presa dentro da espada, e que após a morte, recuperou sua sabedoria. Outros dizem que sua alma vaga por Khoe, ensandecida, como uma besta selvagem, atacando quem entra em seu caminho.
Mas uma coisa é certa. Nunca houve, em Eternal, homem tão sábio quanto a este grande imperador.

Gantz:0

 Uma grata surpresa surgiu no Netflix hoje: o longa em cg do mangá Gantz! Intitulado Gantz:0, a animação saiu ano passado, lá pelos meados de outubro, e desde então eu estava aflito, me perguntando quando iria conseguir por minhas mãos nesse longa.



  Infelizmente, em nosso país não existe publico pra que esse espetáculo de cg vá para as telonas 9por mais que muitos gostem de anime, ainda é um público de nicho, e entre os oatkus, quem curte anime mais violento também não é maioria, imagino), mas fazer o quê, pelo menos nosso grande serviço de streaming vermelho nos trouxe essa belezinha.
  A animação, como todo longa em cg feito pelos japas está impecável, algumas expressões são assustadoramente realistas, enquanto as cenas de ação são tão fluídas que dá gosto de ver. A história é baseada no arco de Osaka do mangá, que pra mim é o melhor de todos os arcos, o longa tem algumas
modificações pra deixar a coisa mais adaptável para seus poucos 90 minutos.
  Francamente, tem umas porcaria ai que tem mais de duas horas (sim, Transformers) , então resta nos contentar com a pequena duração. O longa abre com o final do arco do Alien Oni, e olha, já de cara tem ação com as motos, o Kurono sendo o fodalhão que ele é, já de cara o filme me ganhou.
  A história segue com Katou sendo recrutado pelo Gantz, pela primeira vez. É atravez dele que as regras são explicadas e tudo mais, achei isso muito inteligente, conseguiram trazer a dinâmica do começo do mangá, com a trama empolgante de um arco que tá lá pela metade.
  Mas quase todos os elementos bons do arco estão presentes, tirando alguns personagens. Foi emocionante ver arma H em ação, bem como o Mecha gigantesco em batalha. Mas é claro, todas as atenções estão voltadas para o alien de 100 pontos.
  E  ele não deixou a desejar. Teve quase todas as suas formas (acho que só faltou uma), e a última foi gloriosa. Sim, ver a forma final desse cara foi de encher os olhos, quase que a realização de um sonho. E como a luta final foi emocionante. Mesmo conhecendo a história, fiquei na ponta da cadeira, vibrando com cada acontecimento.

 Agora vamos falar sobre o final. Foi bonito, quando descobrimos que na verdade, Katou já havia se libertado do jogo, foi uma grata surpresa. No final, temos um pequeno fan service, com o vislumbre de alguns personagens, e isso me deixou feliz. Todo o discurso sobre como o Katou é, e que ele não mudou nada também foi muito legal de ver.


  Foi uma boa adaptação. Conseguiram pegar uma parte do meio, e contar de uma forma que até o público novo vai gostar. Pra quem é fã, é um prato cheio. Ainda mais se levarmos em conta que o anime já saiu faz muito tempo. Que saudades de Gantz, começo a rezar aqui, para que o deus vermelho do Netflix traga a existência, um anime adaptando todo o mangá, sem finais inventados, por favor.
  Ou nem precisa, basta continuar esse filme. Por que o que fizeram aqui, me faz bater palmas.

O deus e a criança

  No embalo do ultimo conto que postei aqui, tomem mais um. Dessa vez é um bem simples, de umas ideias antigas que tive, com ajuda do Pain aqui do blog. Apreciem:


O deus e a criança




    A criança corria alegremente por entre as árvores, rindo cada vez mais enquanto se afastava do monastério onde morava. O bosque, tão vivo e cheio de cores, afastava de suas memórias o cinza que predominava no orfanato. Aquela era uma hora única no dia, quando irmã Sellene acabava dormindo em sua confortável cadeira de balanço, com o livro sagrado em seu colo.
  A maioria das crianças aproveitava essa brecha para ir brincar nos fundos do monastério, onde o grande e velho salgueiro estendia suas sombras frescas. Mas a pequena Niandra não se dava bem com as outras crianças. Elas eram más, e gritavam coisas horríveis sobre sua mãe, e sobre seu sangue amaldiçoado. Por isso, a pequena corria para o bosque. Aquele era um lugar sagrado, e as crianças eram proibidas de ir até ali, o que tornava Niandra a rainha da floresta, com os pássaros e os pequenos esquilos como súditos.
   Estar ali era sua felicidade. Corria atrás dos esquilos, cheirava o perfume das flores, admirava o canto dos pássaros, e rolava nas folhas secas que se amontoavam aqui e ali. E ninguém estava ali para repreende-la. Mas o lugar favorito de Niandra era um lago. Ficava bem no centro do bosque, em uma clareira rodeada por árvores altas e velhas. O lago, de águas cristalinas, era cheio de peixes, e a menina adorava ficar sentada, com os pés dentro da água, olhando os peixes nadando. Ficava por lá até o entardecer, quando tinha que voltar, a tempo de chegar antes da velha clériga acordar.
   Dessa vez não seria diferente. Já estava ansiosa por ver as águas com o sol refletindo, e corria apressada em direção ao lugar. Quando passou pelas altas guardiãs, e por fim entrou na clareira, levou um susto. Havia um homem alto, parado em pé perto do lago. Era muito alto, e Niandra sentiu um certo receio de se aproximar mais. De costas para ela, o homem não a percebeu, ao que a menina ficou imóvel, observando-o. Foi então que ela se deu conta de que não era uma pessoa normal. Sua pele era escura, como o céu a noite. Parecia que por baixo de sua pele, inúmeras estrelas pairavam, se movendo devagar e brilhando por todo seu corpo. Seus cabelos eram brancos, e pareciam ser feitos de fumaça, ficavam se mexendo de forma graciosa em várias direções.
   Niandra ficou encantada. Algumas das estrelas brilhavam mais que as outras, e observando, a menina teve a impressão de estar olhando para uma imensidão sem fim. O ser então a notou. Virou-se para ela. Seu rosto era sereno, parecia ser muito velho, mas também muito sábio. Seus olhos eram como olhar diretamente para o sol, eram brilhantes e profundos.
    A pequena menina, encantada, se esqueceu do medo, e chegou mais perto. Foi até a beira do lago, e, se sentando, disse, olhando para o ser fascinante:
– Eu gosto de vir aqui, e ficar olhando para o lago.
– É um lugar muito bonito – respondeu o ser, com uma voz profunda e triste – nunca estive aqui antes, mas quis parar para apreciar a beleza.
– Às vezes aparece um peixinho vermelho – ela continuou apontando para o interior do lago – mas eu nunca consegui pegar ele. É muito rápido.
– De onde você vem, pequenina? – O ser perguntou, e sentou ao lado dela
–  O monastério, subindo a colina.
–  Um orfanato?
–  É sim. Tem várias outras crianças lá. Mas eu não gosto delas. Elas são más.
– Por que diz isso? – O ser indagou, falando lentamente – elas te fazem mal?
– Elas não gostam de mim. Ficam me chamando de filha de bruxa. Às vezes, atiram coisas fedidas em mim.
– Aquele monastério é uma igreja, não é mesmo?
– É sim – respondeu a menina, olhando para o ser – vem cá, moço, o que você é? Nunca vi ninguém igual.
– Eu sou um ser do passado, minha criança. Teu povo escolheu me esquecer. Nem as lendas contam mais sobre minha existência. Meu nome é Ijhegar, sou um deus criador.
– Deus? – A menina perguntou, desconfiada – A irmã Sellene disse que só existe um deus, e que os outros são demônios mentirosos.
– Seu povo escolheu assim. Acreditam apenas em Vhynna, e desprezam todos os outros.
– Então existem outros deuses?
– Existem.
– Irmã Sellene é uma mentirosa então?
– Não, ela apenas não conhece a verdade. Seu povo ficou cego por conta dessas religiões, e as igrejas se tornaram o motivo de viver de muitos. E por conta disso, eles vão a guerra, para defender sua crença, contra a de um povo com crenças diferentes. Tudo isso me entristece.
– Me deixa triste também. Minha mãe acreditava em outra deusa.
– Qual?
– Tezra, acho que era assim que ela chamava.
– A deusa da vida – Ijhegar respondeu, com saudosismo – eu a conheci. Os elfos são o povo mais ligado a ela. Mas isso quer dizer que você não vivia nessa região?
– Não, eu morava bem longe daqui. E tinha muitos elfos perto da minha casa, eu lembro. Minha mãe fazia magias. Ela curava as pessoas.
– Como ela fazia isso?
– Com umas plantinhas cheirosas, e cantando. As pessoas ficavam boas, e todo mundo gostava dela.
– Ela era uma clériga de Tezra. A magia da vida retira a energia da natureza, para o bem. Entendo, por isso chamam sua mãe de bruxa.
– É. Os homens da igreja vieram, e levaram ela. Meu pai nunca quis me contar pra onde, mas a irmã Sellene me disse que ela foi queimada numa fogueira, pra limpar os pecados.
– Eu lamento, criança. Mas deve ser verdade. Seu povo não aceita outras crenças. Sua mãe foi uma grande mulher.
– Às vezes eu choro sabe? – Os pequenos olhos da menina começaram a ficar úmidos – sinto saudades de ver ela cantando. Ela nunca quis fazer mal a ninguém. Mas aí os homens da igreja exigiram que meu pai me entregasse, ou eles iam matar ele. Eles disseram que eu seria uma serva, para compensar pelos pecados da minha mãe.
– E ele aceitou?
– Ele não queria. Me abraçou, chorando e pedindo desculpa. Mas os homens eram grandes, e tinham armaduras. Ele teve que me entregar.
– Então, aí te trouxeram para cá.
– É. Aqui eles me ensinam essas coisas de deus sabe. E também, me limpam de meus pecados – a menina mostrou as marcas em seus braços – eu não gosto de ficar aqui. O senhor devia sair também, se descobrem que tem outro deus aqui, vão ficar furiosos.
– Estou apenas de passagem, pequena, não se preocupe.
– É? O que veio fazer aqui?
– Um dragão vive por estas terras, e ele despertou. Vim até aqui convencê-lo a não fazer nenhum mal.
– E conseguiu? – A menina perguntou curiosa– eu nunca vi um dragão!
– Ainda não fui até ele. Pensei em primeiro falar com essas árvores. São antigas e sábias, e conhecem esse dragão melhor do que eu.
– Você fala com as árvores? – Niandra parecia muito empolgada – me ensina? Quero ter mais alguém pra conversar!
– Levaria muito tempo, menina. Lamento.
   Tempo. A palavra a fez lembrar de voltar. Já estava escurecendo, a irmã já deveria ter acordado. Ela seria castigada por isso. Levantou-se de repente, e com um certo espanto no rosto, começou a correr.
– Desculpe, eu tenho que voltar!
   Correu, na direção do monastério, deixando a entidade para trás. Sentia-se fascinada, mas triste. Nunca mais o veria por ali, e ainda teria que ficar de castigo, sem o jantar, trancada no quarto da penitência. Engoliu o choro e continuou correndo.
  Nem se deu conta de que havia entrado na clareira outra vez, e estava de cara com Ijhegar.
– As pessoas normais não podem me ver – explicou ele, se aproximando da menina – nem mesmo me ouvir. A muito tempo não tenho uma conversa tão agradável quanto essa, embora o assunto tenha sido triste.
– Eu também gostei – ela respondeu, confusa
– Não há dúvidas de que você é como sua mãe. Não deve voltar ao orfanato, a menos que queira. Posso te levar para ver o dragão. E depois podemos procurar por seu pai. Posso cuidar de você, se essa for a sua vontade.
   A menina não soube o que responder. Correu e abraçou a entidade, chorando. Ela não imaginava, mas Ijhegar também estava chorando. Chorava por se lembrar do amor que as pessoas sentiam por ele e seus irmãos, nos dias de glória. Mas a dor do esquecimento o fizera esquecer de tudo.
   A pequena Niandra agarrou firme a mão do deus esquecido, e foram caminhando na direção oposta à do orfanato. Ela não seria vista por aquelas pessoas em um bom tempo. Naquela tarde, os mais sensíveis perceberam que algo havia acontecido. Mas não imaginavam que havia sido algo tão simples.
   A ingenuidade de uma criança havia conquistado o quebrantando coração do deus antigo. Mas aquela era uma entidade simples, repleta de bondade e compaixão. Levou a criança consigo, a fim de cria-la. O resultado disso, nem mesmo ele imaginara.
   O nome Niandra estaria destinado a ecoar em toda a criação. Por toda a eternidade.



 Três contos em um período curto de tempo. Agora deve demorar até ter mais...

Mangás em páginas vermelhas e sangrentas

  Desde que acabei Sons of Anarchy, tenho sentido uma falta de propósito em minha vida. Mentira, só to com preguiça de começar outra série, já que a dos motoqueiros teve sete temporadas... e com animes eu ando tão nhé... nem sei que anime pegar pra ver.

  Mas encontrei dois mangás interessantes. O primeiro, dica do oriental Kendman, Prision Lab, conta sobre um jogo doentio, realizado por uma organização misteriosa, onde o participante indica uma pessoa, que será presa em um cativeiro. O participante, então poderá fazer com seu prisioneiro o que bem entender durante um mês, exceto matá-lo. Se em um mês, o prisioneiro descobrir a identidade do jogador, o prisioneiro vence. E se o prisioneiro for incapaz de dizer quem é a pessoa que o mantém preso, o participante vence.
  O personagem principal é Eyama Aito, um mongolão tipico protagonista, que sofre bully na  escola e tudo mais. A pessoa que ele mais detesta é Kirishima Aya, a garota que mais maltrata ele. Já sacaram, não é mesmo? Aito escolhe a menina para ser sua prisioneira, e ficar um mês a sua mercê.
  O mangá, onde li, só tinha até o capitulo 7, e bem, as torturas só estavam começando. Violência gratuita e tensão psicológica vão se desenrolando a medida que os demais participantes vão sendo apresentados, bem como a verdade por trás desse jogo. Tá bem interessante, aguardo por mais capítulos.


  O outro mangá, Dead Tube. Pelo que entendi, na história, existe um serviço de streaming de vídeos, chamado Dtube, onde você pode postar qualquer tipo de vídeo que você fizer. O protagonista, outro bundão, Machiya Tomohiro, é membro do clube de filmagens da escola, e é escolhido Mashiro Mai para filmar dois dias da vida da garota.
  Ele filma, de fato, dois dias completos da vida dela, indo com a câmera até mesmo no banheiro. Mas, ao final do segundo dia, acaba sendo pego de surpresa, quando Mai decide cometer um assassinato brutal que deixaria Negan do TWD orgulhoso.
  Pelo que deu pra entender até onde li, existe uma competição por views, e quem perde, algo pior que a morte acontece. Ainda tô só começando esse também, mas tá bem interessante.
 Ambos os mangás são violentos, se você for sensível é melhor nem chegar perto.


Mudando de assunto, andei jogando um Indie de dificuldade acima da média: Furi. Desenvolvido pela The Game Bakers, o jogo conta a história de um homem que foi preso em um mundo desconhecido, em uma prisão especialmente projetada para mantê-lo encarcerado. Determinado a fugir, você controla o protagonista, uma espécie de samurai tecnológico, pelos níveis da prisão. cada nível, protegido por alguém poderoso.


  Os guardiões são os chefões, e é tudo que você irá enfrentar nesse jogo. Sim, o jogo é só de Boss Battle, uma mais difícil que a outra.A dificuldade do jogo é extrema, tendo algumas partes que parecem até mesmo impossível vencer.
  Seu personagem não evolui, nem ganha mais poderes. Quem muda é você! Sim, enquanto jogava,
comecei a entender melhor algumas mecânicas do jogo, fiquei mais habilidoso em alguns quesitos, e cosias que no começo do jogo eu não conseguia fazer, lá pelo final fazia com facilidade até. E isso eu achei bem legal, ser você o que evolui com a experiência.
  A história do jogo tem bastante influência de animes. Não é um jogo pra qualquer um, e demanda grande paciência. Eu terminei a história, mas fui incapaz de vencer o Boss secreto.
O design do jogo é muito legal, cheio de cores e tecnologias, com guerreiros bizarros e samurais, o jogo carrega muita influência de anime, seja pelo formato da história, ou pelo comportamento dos personagens.


 E pra fechar o post, fiquem com ´nosso bardo, Cícero, em mais um de seus video de cantoria:


Conto - O cavaleiro na torre

  Bora trazer contos aqui pro blog? Bora!! Comecemos com uma pequena lenda que circula pelo reino de Eternal:


O cavaleiro na Torre


   Existe uma lenda muito comum em Refiuge, que conta sobre um cavaleiro fantasma que vaga pela floresta de Gedri, durante as noites mais escuras. De elmo fechado a lhe ocultar o rosto, com uma armadura desgastada e repleta de rachaduras, o cavaleiro vagueia pelas sombras, empunhando uma espada que emite uma luz bruxuleante e azul.
  O cavaleiro ronda os arredores da Suplicante, a torre cujo formato quebrado lembra uma mão retorcida, clamando aos céus por piedade. A torre, abandonada a muito tempo, é um lugar de temor e espanto, poucos tem a coragem necessária para se aproximar.
  O brilho azulado pode ser visto da grande estrada que circula a floresta negra, e é um sinal agourento aos viajantes. Muitos dizem que o cavaleiro vaga em busca de uma princesa a quem ele jurara lealdade, mas que por infelicidade havia morrido naquelas terras. Muitos dizem que em algumas tardes, uma música chorosa se eleva por entre as árvores, vinda da pobre alma da princesa, tentando ser encontrada.
  Outros dizem que o cavaleiro anda em busca de pessoas más, as quais ele irá cortar a cabeça com sua espada amaldiçoada, e então arrastar a alma maligna para aprisionar na torre. As almas presas ficam então, assombrando a Suplicante.
  O que poucos se lembram, é do porque aquela torre foi construída. Nos dias antigos, quando as bordas da floresta Gedri eram mais afastadas, a estrutura fora erguida.
  Feita de rochas escuras, e coroada por um pináculo, a torre se erguia contra o céu. A estrutura era robusta e poderosa, e se chamava Shellion, e sua forma em nada se parecia com uma mão retorcida.
   Sua construção fora ordenada por Vhynna, a deusa da ordem. A torre iria abrigar uma gloriosa irmandade de cavaleiros, os Kendrian, que iriam vigiar os limites da floresta, e impedir que os seres das sombras pudessem andar livremente pelo reino.
  Juramentados, a irmandade vigiava a floresta dia e noite, por várias gerações. Ganharam notoriedade em Refiuge, e o amor do povo a quem protegiam.
  Mas a sombra caiu sobre o reino. Quando Adramar reuniu sua horda no coração da floresta, a irmandade tentou, a todo custo, impedir a avanço dos demônios. Mas a torre foi apenas um pequeno empecilho no caminho do lorde demoníaco, que dizimou a irmandade, e destruiu a torre, lhe dando a forma da Suplicante.
  De todos os gloriosos cavaleiros, apenas um sobreviveu. Belmont, o destemido. O cavaleiro jurou, sobre os corpos de seus irmãos caídos, que derrotaria Adramar.
  Muita dor e muitas batalhas aconteceram naqueles dias sombrios, mas Belmont manteve sua palavra, e esteve presente na derradeira batalha que daria um fim as ambições de Adramar. Mas na luta, Belmont pereceu.
  Edros, o deus do tempo, se comoveu com a bravura do cavaleiro. Pediu aos seus irmãos deuses que considerassem recompensar Belmont de alguma maneira. Adramar, um lorde demônio, era um ser imortal. Os deuses, então, o prenderam nos alicerces da Suplicante, e reviveram Belmont, para se tornar o guardião do local.
  O cavaleiro deixou de ser um humano, e se tornou um Medriath, um ser etéreo, cuja força provém dos deuses que o fizeram. E toda a história sobre a torre e a irmandade foi esquecida, para que ninguém se lembrasse onde Adramar jazeria preso.
  O cavaleiro da torre, do qual muitos têm medo, não é uma assombração, nem uma alma perdida. É o último de sua ordem, e carrega em seus ombros, uma missão.

  E irá desempenhá-la, mesmo que essa missão seja eterna.

Eternamente SAMCRO

    Meus amigos, acabei de ver uma excelente série, uma que facilmente entrou em meu top 5 de melhores séries. Sons of Anarchy, série  do canal Fx que foi transmitida entre 2008 e 2014. A série conta sobre o clube de motoqueiros de mesmo nome da série, que atua na pequena cidade de Charming, envolvida em tráfico de armas e disputas territoriais entre gangues.




  A série segue Jax Teller, vivido por Charlie Hunnam, que é o vice-presidente do grupo. Com o nascimento de seu filho, Jax começa a questionar o modo de vida que ele e o clube levam, e começa a tentar buscar atitudes diferentes para as situações que os envolvem.
  "Uma série de motoqueiros?" você me pergunta. Sons of Anarchy é muito mais que isso. Sete temporadas, de 13 episódios cada, nos levam em uma grandiosa construção de personagens, e relações que são mais fortes que o aço.
  As primeiras temporadas são dedicadas em nos fazer conhecer e se importar com os personagens. Eles são vários, possuem relacionamentos diversos, e sem pressa, a série pega em nossa mão, e vai nos apresentando com calma, um por um. Quando você se der conta, já estará tão submerso entre os personagens, que irá se importar com todos eles.
  O ponto mais forte dessa série é a relação de família que o grupo tem. Todos se consideram irmãos, e fariam de tudo pra proteger o clube. Nada é mais importante do que a família que eles tem ali, e tentarão a todo custo, manter todos unidos.


 

    A série também conta com relações familiares conturbadas, já que o grupo foi fundado por Jhon Teller, pai de Jax, que, ao morrer em um acidente de moto, deu lugar a Clay Morrow como líder. E não foi só a liderança que Clay herda de seu amigo Jhon: Gemma, a esposa, mãe de Jax, acaba por ficar com Clay. Uma família problemática, não?  Gemma, a mãe de Jax, é uma das personagens mais cabeçudas de todos os tempos. Manipuladora, ela não aceita de forma alguma que alguém tire seu
filho ou seu neto de sua "proteção matriarcal", e muitas vezes ela fica cega por suas próprias mentiras, enterrada em suas maquinações.
  Os personagens são carismáticos. Muito carismáticos. Difícil escolher qual se destaca mais, mas já sabemos que, quanto mais querido são os personagens, maior a dor da perda. Sim, a série não nos poupa de sofrimento, e existem episódios que são verdadeiras facadas em nossos corações.
  Isso porque a trama não é previsível. Muito pelo contrário, sempre que algo parece prestes a dar certo, as coisa encaminhando pra tudo ficar bem, alguém faz uma escolha absurda, e põe tudo a perder outra vez.
  Reviravoltas, traições e tragédias, fazem da série uma montanha russa de emoções. E nunca existe a certeza de que tudo terminará bem. Ninguém está seguro nessa série, e o ceifeiro pode pegar quem menos esperamos.



 
  A trilha sonora é uma coisa a parte. Ela reflete diretamente o sentimento que impera em cada episódio. Perdi a conta de quantas vezes a trilha me deixou arrepiado, e tive que correr pra buscar o nome da música que tava tocando. Acho que nunca vi musicas casarem tanto com cenas quanto nessa série.
  A série conduz tão toda sua história, que nos importamos até mesmo com personagens secundários. E isso é fantástico. Senti cada morte, cada reviravolta, cada lágrima derramada, ecoando em minha alma. É esse tipo de história que mais nos marcam, aquela que quando acaba, nos deixa com saudades dos grandes personagens que tivemos o prazer de conhecer.
  Ainda falarei mais dessa série por aqui, das próximas vezes, com spoilers. Aqui fica essa grande dica, de uma série que vale, mas muito a pena, ser assistida.

Cicero no violão e algumas coisas mais

   E ai meu povo! Odeio segunda, acordei hoje com a sensação corpórea de ter sido esmagado por um caminhão a 120 k/h. Ao tentar me levantar, todas as juntas possíveis estalaram. Agora estou aqui, tentando me espremer pra ver se sai um post.
  Quero começar falando sobre o canal de um dos membros aqui do blog. O nosso bardo, Pi, ou Cicero Souza, começou a postar os vídeos dele com um violão. Estou permitindo isso apenas pela promessa que ele ainda vai gravar um cantando rock.




Pra quem quiser acompanhar o trabalho do nosso jovem bardo, se inscreva no canal, clicando aqui. Eu estarei postando os vídeos novos conforme ele for fazendo-os.
  E por falar em música, esses dias eu assisti o filme 8 mile, aquele com o Eminem. Em minha tenra juventude, fui muito fã do rapper, e até hoje não havia visto o filme. Ao contrário do que pensei, não é sobre  a vida dele (embora provavelmente algumas coisas foram baseadas), mas uma história sobre a dificuldade de um rapper branco em conseguir respeito e conhecimento.




  A trama do filme gira em torno de Rabbit (o Eminem) e seus dramas com sua mãe, suas dificuldades em manter o emprego, e no sonho de gravar uma demo e ser contratado por uma gravadora. O filme não é nada demais, mas é bem legal, me divertiu.
 A dinâmica do Rabbit com seus amigos ficou muito legal, e a batalha de rap que acontece no final do filme foi muito maneira.  Filme nota 7, divertido e despretensioso. Agora o título dele em português...

8 mile - rua das ilusões

 Mudando de assunto, tivemos o Super Bowl ontem, recheado de spots de filmes. Saiu uma penca ,e pra não ficar muito grande, vou postar os dois que achei mais interessantes. O primeiro, o teaser da segunda temporada de Stranger Things.



  Meu Odin, o que é isso? Os produtores já haviam comentado que a segunda temporada seria mais sombria, ao que tudo indica o Will agora terá alguma conexão com as criaturas do mundo invertido, ao ponto de talvez atraí-las pro nosso mundo. Será que as dimensões vão começar a se misturar? E o que é aquele monstro gigantesco? Outubro... mal posso esperar!
  E pra fechar o post, o clima descontraído que vai reinar em Guardiões da Galáxia vol 2. Esse filme vai ser demais:



5 anos

  E hoje nosso blog chega a cinco anos de existência! Poxa, como o tempo passa rápido, parece que foi ontem que Ragnar criava o blog e me obrigava a participar dele. Nesse tempo, já tivemos muita discussão interna (sempre entre Kenichi e eu), um canal que até hoje eu não arrumei, um podcast que foi deixado pra outra era, apenas alguns contos escritos e muito texto maluco escrito por nós.


  E eu sou amarradão nesse atual layout. Hoje em dia não estamos muito ativos, muita coisa mudou desde que o nome CronicaEx veio a existir. Ando escrevendo aqui apenas por hobby, e deixei cada membro em paz. Já não tenho paciência pra pegar no pé deles, um dia, eu talvez volte a ser infernal como era antes.
  Mas o fato é que ultimamente eu enfrento um grande dilema quando vou escrever aqui. Ou eu faço um post ou dou continuidade ao livro/conto que  estou escrevendo. Ai vai da minha empolgação, se é o blog que tá me animando mais, e escrevo aqui, se eu tô no gás pra escrever a história, eu trabalho no livro. Por isso, se o blog ficar uns dias sem post, esse é o motivo. E é claro, quando o livro estiver concluído (o que vai demorar), eu vou postar aqui.
 Mas deixando as desculpas costumeiras de lado, vamos falar um pouco sobre o vídeo que fiz esse ano. Nele, cada membro escolheu um personagem para representá-lo, e dessa forma, temos:

Gilgamesh de Fate Zero - Jyuuken
Ragnar de Vikings - Ragnar
Okarin de Stein's Gate - Okarin
Takamura de Hajime no Ippo - Kendman
Link de Zelda - Rafic
Dante de Devil May Cry - Kaito
Kenichi de Deshi Kenichi - Kenichi
Darth Vader  - Ico
Wolverine - Barbossa
Homem de Ferro - Pi
Pain - Pain
Naruto - Rpg

 É claro que nada disso importa muito. Enfim, só quero dar um pouco de sentido pra essa suruba de personagens. Ó o video:





  Agora vamos falar um pouco sobre nós. Porque somos muito interessantes, não é mesmo? Vamos responder essa pergunta que não quer calar em sua mente: afinal, quem são vocês? O que é o CronicaEx? Senta que lá vem história:

       Dos tempos imemoriáveis, quando os deuses viviam entre os mortais, houve um grupo que desafiou a ira dos deuses. Foram nos dias obscuros, quando o grande reino Lhezar estava caindo em desgraça, por terem desobedecido aos desejos de Meykai, o deus supremo da criação.
      Naqueles dias, uma tropa de anjos repletos de glória e esplendor marcharam para o coração do reino, com a intenção de matar qualquer alma viva que encontrassem. Mas eles não imaginavam que iriam encontrar tão formidável resistência. 
      Hoje, muitos se perguntam quem eram aqueles homens que, de forma destemida ou insensata, defenderam a cidade da ira angelical. E de fato, são poucos os que se lembram de todos os detalhes. Aqueles eram tempos de sombra e morte, mas também de glória e grandes  feitos para os que tivessem coragem. O estandarte daquele grupo era um dragão vermelho. Simbolo esse que todos já haviam aprendido a temer e respeitar. 
      Eram chamados de CronicaEx, um nome que fazia pouco sentido para nós. Mas eu os conheci. Convivi com eles, e mesmo todos esse longos anos que suportei através das eras apagou a admiração que tenho por eles.
       O grupo foi criado por um homem chamado Ragnar. Um homem de alma livre, que diziam ter descoberto o caminho através do Livdrad, o rio da vida, que conduzia entre os mundos da criação. Diziam que ele havia viajado por lugares que nenhum outro mortal jamais foi ou irá. Era formidável com a espada, e sua voracidade em batalha era descomunal.
       Mas quem os liderava era Jyuuken. Ambicioso e perspicaz, seu forte era a diplomacia. Conseguia aliados ao grupo, e seus discursos inflamavam os mais tímidos dos soldados. Por mais desesperadora que fosse a situação, nunca vi esse homem recuar em uma batalha. Tinha total confiança nos companheiros que estavam ao seu lado.
        Kendan era um  guerreiro do povo de Khoe, com olhos estreitos e atentos. Lutava com uma espada diferente das usadas em nosso reino, a chamada Katana. Era capaz de terminar um luta com um golpe simples e limpo dessa espada incomum, que diziam ser amaldiçoada. O fato era que destroçava tudo que encontrava.
        Entre eles, havia um semideus. Okharyn, filho de Edros, o deus do tempo. Dizia-se que ele viera do futuro, trazendo ao grupo orientações sobre o que deveria ser feito. O tempo era sua arma, e ele o manipulava como bem entendia. Algo incrível de se testemunhar.
         Havia também, um necromante. Rafych, um dos guardiões do poço das almas. Era capaz de evitar as garras da morte. Era um homem de grande coração, entretanto, contrariando a fama dos magos negros. Seu poder eta tremendo, mas nunca o usava para o mal.
       Kaitho era o irmão mais novo de Jyuuken. Cabelos brancos, como dizia a crendice popular, era sinal de alguém que morreu e voltou. Nunca ninguém pode confirmar essa teoria, mas Kaitho possuía um poder incomum. Ele manipulava o sangue. Bastava um pequena ferida, e ele arrancava todo o líquido vermelho do corpo de seus inimigos.
         Havia também um monge, da antiga ordem de Fellinar, o deus da paz. Seu nome era Kenichi, um homem sábio e contido. Não usava armas, e mesmo em uma batalha campal, saia ileso. Sim, lutava contra cavaleiros usando apenas seus punhos, que eram o suficientes para destroçar tudo que encontrasse.
       O grande pirata conhecido por Barbhozza também fazia parte desse grupo. Um guerreiro voraz, que já desbravara os confins do mundo, onde o mar é escuro e as coisas não fazem sentido. Voltara de lá com uma espada lendária, a Khedraga'n, que diziam ter pertencido ao próprio Meykai. Era um homem de uma lábia infernal! Deve ter enganado o deus, disso não tenho dúvidas!
      Ycoh é um nome lendário, lembrado até hoje. Membro da guilda dos inventores, usava armas incomuns que lançavam raios, fumaça explosiva e coisas que nem a magia conseguia explicar.  Um gênio totalmente a frente de seu tempo, responsável por muitas das máquinas de guerra que hoje os anões utilizam em sua guerras eternas contra orcs.
        Dami'an Phäin era um elfo, conhecedor das antigas tradições, e de muitas coisas que já naqueles dias estavam ficando esquecidas. Dizia-se que fora um dos primeiros elfos a serem criados por Tezra, na aurora do mundo. Sua magia era assustadora e bela ao mesmo tempo. Ele era um só com o Livdrad, e por isso, toda a vida ao seu redor lhe prestava homenagem e obediência.
       Todo grupo precisa de um bardo. E esse grupo tinha o Py, o irreverente e sempre alegre bardo que elevava a moral de um exército com sua voz retumbante como um trovão. Quando ele cantava suas músicas de guerra, o inimigo se enchia de medo enquanto seus aliados vociferavam. Sua voz tinha alguma magia antiga, um encanto que não se via em nenhum outro lugar do mundo.
     E o útlimo membro, um paladino da Vhynna, a deusa da ordem. Cleith Ondreahn, um cavaleiro lendário, cuja força era imbatível, com golpes capazes de partir qualquer escudo ou armadura. O que se dizia sobre esse cavaleiro era que já havia adentrado os domínios de Astaroph, o deus das trevas, e saído de lá triunfante, seja qual fosse seu objetivo.
     Esse era o grupo que, quando os anjos marcharam contra Lhezar, fizeram frente ao poder celestial, e derrotaram a ira dos deuses. A batalha retumbou por toda a criação, e trouxe ao grupo grandes problemas. Mas isso, meu amigo, contarei outro dia.

 Sim, outro dia, porque já cansei de escrever. Espero que tenham gostado, até a próxima!
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