quarta-feira, 10 de maio de 2017

A segunda temporada de Shingeki até agora

Já estamos aí com seis episódios lançados da nova temporada de Shingeki, e não tem como não falar sobre isso. Se você ainda não assistiu todos os seis, cai fora daqui por que vai ter spoilers, e acredite em mim, você não vai querer descobrir isso lendo meu post e sim assistindo.


Desde que a temporada recomeçou, uma certa brutalidade está no ar, carregada de sangue e mistério. Desde o primeiro episódio, com o surgimento do titã bestial e todo o mistério que ele carrega. O maldito fala, é muito mais inteligente que todos os titãs comuns, e parece saber algo a respeito de todo o mistério envolvendo esse mundo.

“ Vocês atacam direto na nuca, sabem onde estamos. ” Ele diz em uma das cenas. “Aparelho interessante esse”, sobre o equipamento usado para combater os gigantes. E como se não bastasse, junto com sua aparição, titãs começaram a surgir dentro da muralha, sem nenhuma explicação.
Não existe buraco na muralha, e tudo nos leva a crer é que pessoas foram transformadas nos terríveis gigantes.
A chocante revelação de que no interior da muralha também tem titã, um segredo que vem sendo mantido pela igreja, sabe-se lá por quanto tempo. Sempre houve um desejo das tropas de exploração de fortificar as muralhas mais externas, mas isso sempre foi proibido pela igreja, que idolatra as três muralhas.
Isso é genial. Qual a forma de impedir que as muralhas sejam sequer tocadas? Cultuando-as! A religião era a única forma que tornaria criminosos qualquer tentativa de alteração nos grandes muros, mantendo o segredo no mais absoluto sigilo... até agora.
E junto com toda essa revelação, veio o fato de que a pequenina Krista é na verdade uma filha bastarda da família real, vivendo por ali escondida. Seu sangue é da alta linhagem, seu nome verdadeiro é Historia, e ela pode conhecer os segredos deste mundo.
E justo ela está no olho do furacão.

Presos em uma torre, estão ela, Connie, Ymir, Reiner e Bertolt. Cercados por titãs. Mortes terríveis e cruéis nos mostram o quão frágil é a vida nesse anime, e por mais habilidoso e forte que o personagem venha a ser, heroísmo nem sempre acontece, e o que se desenrola não são mortes honradas, mas brutais e terríveis.
Não é um mundo para o qual os fãs gostariam de ir, sem dúvida. No meio de tanto anime colorido, onde tudo dá certo, onde todos terminam felizes, é bom ver um que tenha esse tom um pouco mais pesado, mais sujo, mais cruel. Nos dá uma sensação de insegurança. Shingeki é um anime onde tudo pode acontecer.
Tudo, como por exemplo, Ymir, uma personagem que eu provavelmente nem havia prestado atenção antes, pula do topo da torre, e se transforma em uma titã! É de explodir os miolos! Ymir vira uma titã mais baixinha, porém mais ágil, e começa a virar a luta, que já parecia perdida.


Ymir tem alguma relação com Reiner e Bertolt, algo ainda não explicado.  Mais mistérios, mas nem dá pra pensar muito nisso, porque o número de titãs ali é muito alto, e Ymir acaba sendo subjugada, e devorada!
Mais brutalidade, mais reviravolta. E quando tudo parece perdido, Mikasa, Levi e uma galera chegam para salvar o dia. Eles limpam a área, e tudo se acalma. Ymir ainda não morreu, eu acho, Estado crítico, mas ainda viva.
E, quando tudo parecia estar bem, Reiner se desespera, querendo logo pôr fim a sua jornada, querendo logo voltar para casa, e revela que ele e Bertolt são os grandiosos Colossal e Encouraçado, e querem que Eren vá com eles.
Já havia uma suspeita por parte deles. Armin é muito sagaz, e notou coisas que nem mesmo nós que assistíamos notamos. As pistas estavam sempre ali, diante de nossos olhos. Mikasa os ataca, e não os deixa com outra alternativa que não a de assumir suas majestosas formas. E é aí que o coração para.















Uma das cenas mais majestosas de todos os animes que já vi, trilha sonora épica, animação com muita qualidade, uma carga dramática pesada, Reiner e Bertolt assumem suas formas de titãs, crescendo na muralha, jogando tudo pelos ares, e capturando Eren e Ymir.
Os dois são inimigos. Mas não são a figura típica de vilões que a maioria das histórias nos mostra. Eles eram bons amigos, já salvaram a galera várias vezes. Eles têm algum motivo para estarem fazendo isso, é como anda dizendo o trailer do Injustice 2: cada vilão é o herói de sua própria história.
Eren em lágrimas também vira titã, mais uma vez sendo forçado a se levantar contra um amigo, mais uma vez se sentindo traído. O que virá agora será uma luta de estremecer a realidade, e mal posso esperar para por meus olhos nisso!

Shingeki é, sem sombra de dúvidas, um dos animes mais empolgantes e com uma das histórias mais complexas que já vi. Por mais animes assim!

sábado, 6 de maio de 2017

O Viramundos

 Escrevi um conto, e o processo foi bem divertido. Mhero é um jovem que gosta de explorar terras novas, em busca de glória e riquezas. Mas seu atual estado de pobreza o obriga a aceitar um trabalho enfadonho na loja de antiguidades de seu tio, apenas por algumas moedas.
Em meio a tantas relíquias, Mhero irá encontrar algo além de sua compreensão.

 Boa leitura! Creditos ao Kaito, pela capa!




Mhero bocejou, entediado, enquanto encarava, do balcão, a loja de antiguidades completamente vazia. Nenhum freguês havia aparecido nas ultimas três horas, e o jovem já considerava que seria seguro tirar uma soneca ali mesmo. Mas imaginou a carranca de seu tio, caso chegasse de repente e o flagrasse dormindo em serviço, e concluiu que seria melhor ficar muito bem acordado.
A loja, chamada Nievro, ficava bem no centro da cidade de Allerio, numa das ruas mais movimentadas que conduziam a praça central. Estava lá desde sempre, e era referência quando se tratava de artigos raros, ou relíquias mágicas, sendo muito frequentada por magos e elfos, e as vezes alguns aventureiros procurando mapas ou chaves antigas.
Mas nesse dia, nenhum deles resolvera aparecer, para alegria e tédio de Mhero, que ficara responsável pela loja a pedido de seu tio. O rígido Andheo Nievro, dono do estabelecimento, precisara resolver algum assunto urgente do outro lado da cidade, e não tivera mais ninguém a quem recorrer.
Por mais enfadonho que o serviço fosse, Mhero aceitara de bom grado receber algumas moedas apenas por ficar dentro da loja, sem fazer nada. Já estava planejando em qual taverna gastaria seu pagamento, e daria um jeito de multiplica-lo nos dados que os bêbados estavam sempre jogando.
“ Não mexa em nada! ” Foi a ordem mais repetida por seu tio, como se Mhero ainda fosse uma criança. Mexer em que? Na loja só haviam coisas antigas e tediosas, nada que valesse o esforço. Se ao menos uma espada mágica estivesse por ali dando sopa..., mas não, seu tio era um homem assustador quando estava zangado, e a última coisa que Mhero iria querer era irritá-lo.
Sendo assim, tornou a se sentar na desconfortável cadeira que ficava atrás do balcão. Ao menos a hora do almoço estava chegando. Sob a permissão de seu tio, poderia fechar a loja por uma hora para comer, e planejava fazer isso em breve. O estômago roncou, em aprovação.
A porta se abriu, fazendo a sinetinha tocar suavemente. Mhero olhou em direção ao surpreendente cliente, como se olhasse para uma miragem. Era um homem alto, esguio, de cabelos longos e dourados, pele pálida e orelhas pontudas. Um elfo, que sorriu gentilmente ao ver a cara de espanto do jovem no balcão.
— Nievro não está? – Perguntou o elfo, com sua voz melodiosa
— Ele teve problemas para resolver, deve retornar mais tarde.
— Entendo – O elfo olhou diretamente para Mhero, causando um certo desconforto ao jovem – Você é o sobrinho dele, Mhero?
— S-sou...
— Se não for incomodo, Mhero, acredito que seu tio deixou um pacote separado, destinado a mim. Poderia olhar nos fundos? Deve estar identificado com uma runa, não é algo grande.
Mhero concordou, e foi até os fundos da loja verificar. Na parte de trás da loja, o depósito, havia muita coisa, mas totalmente organizado. Seu tio não suportava bagunça de forma alguma. Haviam caixas e mais caixas, seladas ou abertas, livros de todos os tamanhos, pinturas, estátuas, vasos... e uma pequena mesa, num canto perto da porta. Nessa mesa, uma pequena vasilha, com um bilhete. A caligrafia fina de seu tio era visível, e estava escrito “Mhero”.
— Almoço! – O jovem vibrou, ao abrir a vasilha e ver a torta que o esperava
Continuou procurando, quando um pequeno baú chamou sua atenção. Era todo preto, lustroso, e tinha detalhes em dourado. Mas sem nenhuma runa, então esse não era o pacote. Depois de vasculhar mais um pouco, achou em uma das prateleiras, uma caixa amarelada, com uma runa antiga, que se a memória de Mhero não estivesse equivocada, queria dizer “Kënda’ro”, um nome próprio.
Apanhou o pacote, e voltou até o balcão da loja, coçando a barbicha que crescia em seu queixo, com uma expressão de curiosidade:
— Kënda’ro? – Perguntou, mostrando a runa ao elfo – é seu nome?
— Sabe ler runas? – O elfo indagou, surpreso
— Um pouco, as vezes Andheo me ensina. Pode ser útil em minhas viagens, ele sempre diz.
— Quem diria. Seu tio está certo, ler runas pode ser muito útil ao explorar florestas. Basta ficar atento. Sim, meu nome é Kënda’ro.
— Bom, então isso é seu – Mhero entregou ao elfo o pacote
— O pagamento já foi acertado com seu tio. Diga a ele que agradeci imensamente, e que voltarei em três dias, como o combinado.
— Certo, eu direi.
O elfo agradeceu, e foi embora, levando seu pacote misterioso. O que havia nele, e por que o elfo retornaria em três dias, Mhero não fazia e nem faria ideia. Seu tio raramente falava sobre seus clientes, ainda mais com ele, que constantemente ficava bêbado pelas tavernas, falando asneiras.
De qualquer forma, estava cansado de tanto trabalhar. Era hora de almoçar. Trancou a porta, fixando na vitrine a placa de “fechado para almoço, retorno em uma hora”, e foi até os fundos, aproveitar seu merecido descanso.
Apanhou sua torta, um pouco de pão e cerveja, encontrou um canto confortável es e sentou em meio as mercadorias.  Apesar de cheio, o estoque era bem espaçoso. Ficou olhando todas aquelas coisas antigas enquanto comia.
O baú novamente lhe chamou a atenção. Era bonito, parecia bem polido, e os detalhes em dourado eram muito bem feitos. Decidiu que depois de comer, daria uma boa olhada nele. E foi o que fez.
Não era pesado. Estava tão lustroso que Mhero conseguia ver o próprio reflexo nele. A tranca era dourada. Será que tinha alguma coisa dentro? Estava, obviamente, trancado, mas nada que pudesse impedir alguém tão talentoso como Mhero, que abria trancas complexas numa velocidade absurda.
Apanhou sua pequena ferramenta de violar trancas, que sempre levava consigo, afinal, nunca saberia onde precisaria dela, e sem dificuldades, destrancou o cadeado, que se abriu com um clique alto.
Uma luz veio da fresta do baú, e lentamente Mhero o abriu. Uma pequena bolinha rosada repousava no seu interior. Ficou encarando-a, tentando entender do que se tratava. A bolinha começo a se mexer devagar, e logo algo que parecia uma cabeça se projetou para cima. A bolinha era um pequeno animalzinho, parecia um cachorrinho em miniatura.
Tinha uma pelagem que parecia sedosa, e mudava de coloração conforme se olhava para ela, variando em tons de rosa, roxo mais escuro e a um azul mais claro. Suas patinhas, apesar de pequenas, eram bem robustas, e uma fina calda começava a se agitar.
A criaturinha abriu dois olhinhos sonolentos, e Mhero sentiu-se hipnotizado pela graciosidade da coisinha.  Notou que o pequenino tinha um bico ao invés de um focinho, e pequenas asinhas lhe saindo pelas costas.
Passou o dedo suavemente pela cabeça do bichinho, que pareceu ronronar em satisfação. Mhero nunca vira animalzinho igual em nenhum lugar do mundo. Intensificou os carinhos, e o bichinho pareceu gostar, enquanto se espreguiçava para afastar o sono.
O bichinho irrompeu em um pulo, saltando para fora do baú. Mhero se assustou, e caiu de costas. A criaturinha pulou sobre ele, e então, uma grande confusão se instaurou no pequeno depósito.
Uns sons profundos e altos, junto de um turbilhão de luz, envolveram Mhero enquanto caía. Quando atingiu o chão, tudo ficou escuro e quieto. Confuso, Mhero foi se levantando, e aos poucos sua visão e audição iam voltando ao normal.
Ouvia uma voz profunda e suave, falando incessantemente palavras em um outro idioma. Sem entender, e ainda sem enxergar direito, o jovem foi se levantando. A voz, que parecia distante, continuou a falar, até que de repente ficou quieto. E então outras vozes começaram a sussurrar ao redor, como se uma multidão estivesse ali.
“ Que diabos? ” Pensou ele, “estão assaltando a loja? ”, mas quando sua visão voltou, as coisas que viu não foram facilmente compreendidas. Não estava na loja. Estava em um grande salão dourado, rodeado por elfos, que o encaravam, tão surpresos e assustados quanto ele próprio.
O salão era imenso, e tinha o teto muito alto, abobadado. Janelas grandes permitiam que a luz entrasse no lugar, acentuando ainda mais a cor dourada. O chão parecia de ouro, mas era feito de madeira, e um cheiro de pinho enchia o ar. Os elfos, todos vestidos belamente, como nobres, se reuniam ao redor de um trono, onde a figura majestosa de um rei se erguia, com uma coroa feita de madeira retorcida e prateada lhe adornando os cabelos amarelos.
Ajoelhado no estrado do trono, com os braços presos as costas, um homem corpulento e sem camisa, com o corpo repleto de runas e desenhos tatuados em tinta negra ou vermelha. Careca e barbudo, o homem tinha um olhar severo. Devia estar sendo julgado pelos elfos, mas agora todas as atenções se voltavam para o recém-chegado.
Os mais próximos começaram a falara coisas em seu próprio idioma, e Mhero confuso apenas dizia que não fazia ideia do que estavam dizendo. O burburinho foi se intensificando, até que o rei se levantou em seu trono, e disse com clareza:
— Quem é você, humano? E é melhor não mentir!
— Eu... me chamo Mhero, majestade – respondeu, inseguro e tentando soar respeitoso – Mhero Nievro, meu senhor.
O nome Nievro produziu algumas reações, e até mesmo o rei parecia conhece-lo.
— O que faz aqui? – Perguntou um dos elfos mais próximos ao rei – como chegou aqui?
— Eu... não sei senhor! Não sei mesmo... estava na loja de meu tio, e de repente...
Mhero ficou em silêncio, sem conseguir entender o que havia acontecido. Os elfos o encaravam com grande desconfiança, mas também nada diziam, e o silêncio cresceu no salão. Então, um dos elfos finalmente falou:
— Quer nos fazer acreditar que você simplesmente surgiu em nosso salão? Neste exato momento, de grande importância para nós?
Mhero percebeu o quão idiota era a ideia, mas não conseguia pensar em mais nada.
— Quer mesmo que acreditemos que você não possui relação alguma com este homem?
O elfo apontou para o homenzarrão acorrentado. Mhero olhou instintivamente para ele, e pode notar no olhar do prisioneiro, um grande desprezo e maldade por todos os presentes. Nunca em sua vida havia visto tal homem, mas quem acreditaria nele? Aos olhos do elfo, tratava-se de uma tentativa fútil de resgate.
— Eu não o conheço, senhor. De verdade, não sei como vim parar aqui.
Os elfos começaram a falar entre si, em seu estranho e melodioso idioma. Por fim, o rei tomou a palavra, e disse com firmeza:
— Existem magias raras que permitiriam que um homem surgisse em lugares distantes, da forma como aconteceu – fez uma pausa e olhou fixamente para Mhero – com todo respeito, este que aqui surgiu não me aparenta ser um grande mago. E não sinto vindo dele magia alguma que possa iludir nossos sentidos, nem mesmo má intenção. Seu nome é Nievro, e creio que devemos a este nome ao menos o benefício da dúvida.
Um burburinho começou a crescer, ao que o rei ergue sua mão, e toda a corte fez silêncio novamente. O rei agora se dirigia diretamente a Mhero:
— Entretanto, é um momento delicado em que você decide surgir, ainda que alegue não ter sido intencional. Com certeza deve haver alguma explicação, mas temo que não dispomos de tempo para investigar a fundo o ocorrido. Contudo, dado este momento delicado em que minha corte se encontra, não poderemos deixa-lo ir, não sem um profundo entendimento do que ocorreu. Deste modo, ficará detido até que tenhamos tempo para julgá-lo.
— Detido? – Mhero se desesperou – mas eu não fiz nada, não podem me prender, eu preciso voltar, eu....
— Até que consigamos determinar seu propósito aqui, para o bem ou para o mal, o manteremos preso. Mas não se preocupe, será bem tratado! Guardas, levem-no!
Dois soldados élficos o apanharam pelos braços, e o conduziram pelo lado esquerdo do salão, até uma porta que se abria na parede dourada. Pode ouvir a corte explodir em comentários, e a voz do rei elfo se elevando sobre todas as outras.
Foi sendo conduzido por um extenso corredor, e após entrarem em uma porta a direita, desceram uma longa escadaria, só para então entrarem em um corredor. Era bem iluminado, as paredes feitas de pedra branca, e o chão de madeira escura. Esse corredor era repleto de portas de ambos os lados, e uma delas foi aberta, e Mhero foi conduzido para o interior de uma pequena cela.
O elfo disse algo que Mhero não entendeu, e a porta foi fechada atrás de si. A sala estava um pouco escura, mas era possível enxergar uma cama alinhada com uma das paredes, e uma pequena latrina improvisada do outro lado.
Ainda confuso, Mhero deitou-se na cama, olhando para o teto. “ Deve ter sido a criaturinha”, concluiu, sem muito esforço. Não fazia ideia de onde se encontrava. Pensou em arrombar a porta, e tentar fugir, mas concluiu que seria um esforço perdido e perigoso. Aquele reino deveria ser em meio a uma floresta, e assim que notassem sua fuga, Mhero passaria a ser caçado.
Concluiu que seria mais inteligente permanecer ali, e esperar que os elfos decidissem soltá-lo. Pelo visto, conheciam seu tio, e tinham algum respeito por ele. Isso era bom.
Um brilho rosa começou a inundar a pequena cela. Mhero então viu que, a pequena criaturinha, de alguma forma, havia surgido em sua cela.
— Aí está você – disse mais para si mesmo – se eu o capturar, vai ser mais fácil explicar minha situação!
Saltou sobre o bichinho, que também pulou de encontro a Mhero. Novamente, um turbilhão de luz o envolveu, com um som estrondante. Mhero sentiu como se seu corpo fosse arremessado, e caiu de cara no chão.
E fez-se um profundo silêncio. Foi se levantando devagar, à medida que sua visão ia voltando ao normal. Sentiu um forte vento frio soprando incessante. O próprio chão onde estava era muito gelado.
Escutou um som gigantesco se movendo, se aproximando. Sentou-se, e sua visão embaçada só conseguiu divisar uma gigantesca silhueta se aproximando. O chão era de pedra dura, e estavam a céu aberto. A enorme figura parou bem perto, e então uma voz retumbou, palavras aterrorizantes que fizeram o corpo de Mhero estremecer, mas não conseguiu entender seu significado.
A visão voltou, e o que Mhero viu petrificou-o por completo, fazendo sua alma sair de seu corpo, gritando alucinada por socorro. Um enorme ser quadrúpede, as patas dianteiras menores que as traseiras, com dois pares de asas que pareciam alcançar os céus, uma enorme cauda e um corpo coberto por escamas azuladas. Sua cabeça era comprida, e terminava em uma bocarra enorme, repleta de dentes. Parecia um ser velho, tão antigo quanto o mundo.
Nas terras frias do norte, no topo de uma grande montanha, diziam as lendas que vivia um poderoso dragão de gelo. Ali estava, diante de Mhero, a lenda viva. A visão, magnífica e aterradora, o deixou completamente sem reação.
O dragão falava, com uma voz retumbante, mas suas palavras eram irreconhecíveis. Até que o majestoso ser chegou bem próximo, e falou devagar:
—  Pode me entender agora, humano? Perdoe-me, mas a tempos não uso esse idioma, tão pobre e medíocre quanto sua espécie.
Mhero continuou sem reação, ao que o dragão prosseguiu:
Não tenho intenção de devorá-lo, se é o que te assusta. Não tenho apetite para seres tão gananciosos como vocês. O que tenho mesmo é a curiosidade, de qual o tolo motivo que o trouxe aqui, de forma tão repentina?
— E-eu não sei – respondeu Mhero, com a voz chorosa
O dragão farejou no ar frio da montanha, observando o rapaz que agora começava a tremer, fosse pelo frio ou pelo medo.
A muito não sinto esse cheiro. Quase sendo sufocado pelo medo, o cheiro em seu sangue. Você tem parentesco com aquele homem, sem dúvidas.
O dragão rugiu em fúria, soltando uma estranha labareda azulada em direção ao céu. Mhero queria correr, mas seu corpo não respondia. Olhou ao redor, e notou algumas rochas ao fundo, e começou a considerar correr em direção a elas. Mas agora o monstro olhava fixamente em sua direção.
Filho?  — Bradou o dragão – Não, o cheiro não é tão forte assim. Irmão? Não, não deve ser tão próximo. Sobrinho talvez?
O dragão bateu suas asas agressivamente, e falou, com a voz retumbante:
Sobrinho daquele humano pestilento? Não tenho dúvidas! O cheiro insolente dele está impregnado em seu covarde sangue que mal corre em suas veias!  Mas essa não é a vingança que tenho aguardado! Não, não é!
“Que ótimo”, pensou Mhero, “o dragão tem inimizade com meu tio. Se sair vivo dessa, vou lhe perguntar uma coisa, ou duas! ”
Viu de canto de olho, um brilho rosa, atrás das rochas onde queria se esconder. Isso o fez sair um pouco do torpor em que estivera. Tinha que correr, e agarrar a criaturinha rosa. Era sua única chance de sair dali. Mas precisaria ser mais ágil que o colossal dragão.
Se levantou, e saiu em disparada. O dragão, percebendo a audácia do pequeno humano, riu profundamente, e então abriu sua boca, e dela irromperam as geladas chamas azuis, que foram tomando conta de todo o topo da montanha.
Mhero se jogou, caindo atrás da rocha. As chamas se chocaram contra a pedra, que imediatamente ficou fria e começou a estalar, como se estivessem prestes a se romper. Ao redor, as chamas dançavam, congelando tudo que tocavam.
Mhero, acuado e com as costas contra a pedra fria, nada podia fazer, a não ser fechar os olhos e rezar. O bichinho rosa surgiu, e saltou sobre seu colo. Mhero olhou-o fixamente, e mais uma vez um turbilhão estrondante o dominou. O fio desapareceu, junto com a voz retumbante do dragão.
E então o escuro foi absoluto. Aos poucos, sua visão foi voltando, e dessa vez, não escutou nenhuma voz retumbante, ou barulho misterioso. Mas haviam passos apressados, e uma voz familiar, que dizia coisas irritadas.
Aos poucos foi notando que estava de volta ao estoque da loja de seu tio, e que o mesmo estava em pé, bem à sua frente, segurando a bolinha peluda e rosa em uma das mãos, e o baú na outra.
— Cuidado tio, ele vai aprontar das suas! – Mhero gritou, ao ver a cena
— Não, não vai – seu tio respondeu, colocando-o no interior do baú, e trancando-o – O que eu te disse sobre não mexer em nada?
Seu tio guardou o baú no local onde estivera antes. Era um homem alto, com um bom porte físico, e um olhar severo e imponente. Tinha o cabelo e a barba muito bem aparadas, começando a ficar grisalhas, e um par de óculos a lhe conferir um tom mais intelectual que os demais ao seu redor. Estava muito zangado.
— Lembro muito bem de ter deixado esse baú trancado!
Mhero ficou cabisbaixo.
— Senti muita curiosidade...
— Essa curiosidade podia ter te matado!
—  O que é essa coisa? – O rapaz indagou, tentando se esquivar da zanga de seu tio
— Um viramundo.
— Um vira o que?
— Viramundo. É uma criatura mágica, pode ir a qualquer canto do mundo em um piscar de olhos. E tenho certeza que te levou a lugares bem distantes, não é mesmo?
Mhero apenas assentiu com a cabeça. O tio continuou com a bronca:
— Teve sorte que ele o tenha buscado, poderia ter largado-o no primeiro lugar onde foram! E eu nunca iria saber como encontra-lo, seu idiota!
 Mhero queria cavar um buraco no chão e enfiar sua cabeça dentro. O tio, por sua vez, virou-se para voltar para o salão da loja.
— Vou reduzir seu pagamento pela metade – declarou
— O que? Isso não é justo – Mhero protestou, se levantando
— Não é justo você violar a fechadura das minhas coisas.
— Essa coisinha me levou até o ninho de um dragão! Você não me disse que tinha algo tão perigoso guardado aqui.
— “Não mexa em nada”, lembra. Mas você deu sorte. Ele gostou de você, senão, teria te deixado lá com o dragão.
Por mais que Mhero protestasse, seu tio lhe deu apenas metade do pagamento, e o dispensou da loja com mais duas broncas. Refletiu sobre tudo que acontecera, enquanto encarava as moedas. Sem dúvidas, precisava de uma cerveja. Mas uma coisa era certo: tudo aquilo daria uma excelente história!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2

Fui ver o segundo Guardiões da Galáxia. Não levo comigo expectativas mais, já entendi que aquela grande epopeia da Marvel, onde filmes e seriados estão intrinsecamente interligados em eventos que irão culminar em uma grandiosa batalha. Não, eu já desisti dessa ideia.
Guardiões da Galáxia não move a trama infinita, e nem mesmo tem uma joia infinita. Ao invés disso, se foca em desenvolver um tanto mais seus personagens e suas relações. O grupo já abre o filme com uma dinâmica totalmente diferente do filme anterior, eles aprenderam a lutar juntos e vão lidando com os contratempos de um combate de maneira variada. Mesmo que ainda não se entendam totalmente.


O filme é muito colorido. Muito! Se reclamavam que a Marvel não é “sombria”, imagino que deve ter tido gente enfartando em plena sala de cinema. Os cenários são variados, com muitas formas, muitas cores, todas vibrantes. Tudo pulsa na tela, até mesmo as batalhas espaciais, com naves cheias de formas e cores, passando por asteroides com um brilho verde escuro. O que não é ruim, muito pelo contrário.

O filme é muito bonito visualmente. A raça nova apresentada, os Soberanos, que possuem todos peles douradas, e um comportamento altamente arrogante e narcisista, foi um dos pontos do filme que mais gostei.
Toda a sequência de abertura do filme foi muito boa. Os guardiões estão prestando um serviço aos Soberanos, proteger uma série de baterias que eram alvo de um monstro cheio de tentáculos, que queria se alimentar delas. E o filme abre com isso: uma grande cena de batalha desfocada, enquanto o pequeno Groot dança entre os créditos inicias, sempre a interagir com alguém que é arremessado pela fera e atrapalha sua dança.

E como sequência, os guardiões trocam as baterias pela Nebula. Gamora declara que eles pretendem entrega-la pela generosa recompensa. E, malandramente, Rocket rouba algumas das baterias, como um bônus.
Os Soberanos são tão orgulhosos que não admitem nenhum desaforo, e imediatamente iniciam uma perseguição aos guardiões, que não tem escolha, a não ser fugir. Grandes sequências de ação, e muita interação entre os personagens, abriram o filme de forma excelente. A partir daí, a trama central envolvendo Ego, o pai de Peter, se inicia.
É dado muito destaque a outros personagens que não tiveram tanto espaço no primeiro filme. Yondu é o que mais tem suas motivações e arrependimentos aprofundados, dando ao personagem uma dimensão muito maior.
E temos muitas piadas. Muitas mesmo. Algumas são ótimas, outras são boas, mas algumas são bem ruinzinhas. A verdade é que o filme não se leva a sério em momento algum, e algumas piadas foram grandes corta clímax, que pra mim acabou diminuindo o brilho do filme.




As músicas foram, evidentemente, escolhidas a dedo. Muitos diálogos giram em torno de suas letras, e tem significado com o que está acontecendo em tela. Não fica jogado, como em Esquadrão Suicida. Referências estão por toda parte, para quem tiver os conhecimentos para notar.
A trama principal é um pouco devagar, e o desfecho ficou um pouco abaixo do que eu esperava. Filme divertido, não há como negar, mas não me ganhou por completo. Já explico o porquê.
Quero ver essa trama Infinita logo. Já estamos sendo cozinhados por ela a tanto tempo, que qualquer coisa que não tenha a ver com ela só me deixa mais cansado de esperar, e aumenta meus temores de que no fim das contas, Thanos seja apenas mais um vilão qualquer...
Tirando isso, o filme cumpre o que promete. Diverte, e diverte bem, embora tenha seus defeitos, e suas frases piegas, tudo parece ter sido muito bem feito e muito bem pensado, nos entregando um filme coeso e visualmente muito bonito, com a melhor participação do Stan Lee de todos os tempos.

Ah, e não saiam do cinema tão cedo, são mesmo cinco cenas pós-créditos... os caras tão perdendo os limites...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Kimi no Na wa

Como eu sou totalmente por fora de todos os assuntos, cabe a mim buscar listas de coisas que são boas para assistir. Os animes ultimamente nenhum que eu escolho tem me agradado, e por isso, fui até o IntoxiAnimes lá no youtube, ver as listas que o canal dispõe. Em uma das listas, de quinze melhores animes de viagem no tempo, o segundo posto da lista estava ocupado por Kimi no na wa.



Ranqueado em primeiro no My Anime List, o anime conta sobre a passagem de um cometa chamado Tiamat, e os estranhos eventos que ele desencadeia na vida de dois jovens bem distintos, Taki, um jovem que vive em Tóquio, e tem uma agitada vida de cidade grande, conciliando a escola
com um trabalho como garçom em um restaurante italiano; e a Miyamizu, uma garota que vive em uma aldeia de interior, numa vizinhança pacata e tranquila, totalmente diferente do que a menina gostaria. Os dois andam tendo sonhos estranhos, vividos até demais, e ambos possuem uma ligação tão complexa que seria spoiler contar aqui.
Esse é um tipo de anime que vale assistir, conta com muita maestria uma história bonita, cheia de detalhes do cotidiano dos personagens, coisas simples, mas que enriquecem muito a experiência de quem tá assistindo. A trama que parece bobinha no começo, te pega pela mão, e vai te conduzindo devagar, te mostrando bem cada pedacinho do que deve ser contado e observado.
O anime é muito bem animado, com traços fluídos e cenários belíssimos. Algumas cenas utilizam alguns ângulos bem incomuns, tornando as transições entre as cenas bem dinâmicas e divertidas. Existem grandes cenas onde todo um cenário gigantesco toma conta da tela, cenas muito belas, diga-se de passagem.
E algumas tomadas dessas tomam um tom majestoso, pelo conjunto de cores, trilha sonora, efeitos sonoros e as emoções que transbordam pelos personagens presentes. Todo um trabalho feito com muito esmero, que nos entrega uma animação excelente, que valeu cada minuto investido.
Agora falemos sobre a trama, e se você não quiser spoilers, pare por aqui.



Tudo começa com o que parece serem sonhos malucos, mas os dois estão trocando de corpo. De começo, isso traz cenas bem engraçadas, principalmente com a Miyamizu no corpo de garoto, ela transparece um comportamento feminino muito forte que até chama a atenção dos que estão por perto.
Sem saber maiores explicações, os dois aprendem a lidar com essas trocas casuais, e estabelecem até um meio de comunicação, por onde definem regras do que pode e o que não deve ser feito no corpo um do outro.
Sem perceberem, os dois começam a nutrir um laço forte um pelo outro. E então, simplesmente param de trocar. E essa foi uma das grandes sacadas do anime. Quando Taki começa a procurar pela cidade onde ela morava, ele descobre que aquele pequeno vilarejo fora arrasado por fragmentos do cometa Tiamat, a três anos atrás!
Os dois trocavam de corpo através do tempo! Genial!
Taki tenta de tudo para que possam trocar uma vez mais, e vai até um antigo templo, nos destroços da aldeia, quando as lembranças perdidas retornam sua mente. Ele se lembra que Miyamizu o encontrou em Tóquio, a três anos atrás. Mas naquele tempo, ele não conhecia ela!
Taki em 2016 (não sei se o anime se passa nesse ano, mas vamos supor que sim) troca com Miyamizu em 2013. Em 2013 ela conhece ele, sabe como ele é, e vai para Tóquio encontra-lo. Mas em 2013, Taki não a conhece, pois é só em 2016 que ele irá começar a ter essa complexa experiência, e enfim conhece-la.
Espero que seu cérebro não tenha dado um nó muito forte. Por conta disso, ele não reagiu da forma como Miyamizu esperava, mas a garota entrega a fita de seu cabelo a ele, fita essa que o acompanhava desde o início.




Mas ainda existe um cometa, e um desastre a ser evitado. As coisas se desenrolam de uma forma que nos leva a perguntar se realmente ocorreu alguma viagem no tempo, ou se foi tudo uma ilusão da cabeça de Taki. O fato é que as coisas mudaram.
E pra fechar a conta, os dois perdem as memórias um do outro. Ai pronto, não dá pra saber o que realmente aconteceu. Acaba que eles nem se encontram, e muitos anos se passam, cada um seguindo suas vidas, apenas com uma triste sensação de que algo está faltando.

Kimi no na wa pode nos proporcionar uma boa reflexão sobre paradoxos e linhas temporais, e nos entrega uma ótima história. Fico feliz de ter assistido um anime bom, finalmente. Um anime que falou com sentimentos, e me fez parar para ouvir com atenção. É isso, espero que tenham tido uma experiência vendo o anime tão interessante quanto eu. Até a próxima!

domingo, 30 de abril de 2017

O centauro de sagitário

Sou do tipo enrolão. A tempos estou querendo começar a ler tanto Next Dimension, quanto Episódio G, mas não começo. Então fico por aí, vendo spoilers que me aticem a curiosidade, e quem sabe não me deem o ímpeto de começar a ler.

Esses dias, tava lá no parceiro, Pra sempre Saint Seiya, e vi por lá um post sobre os capítulos mais recentes do Next Dimension, e olha, fiquei admirado! O que o Kurumada anda usando para escrever esse mangá?
Nos capítulos, foi revelado o cavaleiro de ouro de Sagitário da época anterior em que se passa o mangá. Gestalt de Sagitário, que possui a forma de um centauro!





Sim, o cavaleiro de sagitário dessa época é um centauro. E a história é ainda mais curiosa. Seu corpo é assim porque, no passado, quando a égua de Gestalt morreu, ele implorou a Odysseus (não sei quem é esse) que a revivesse. Odysseus então, muito sagaz, transforma Gestalt em um centauro. O cavaleiro acredita que sua parte animal seja sua égua revivida, e carrega-a consigo para onde vá.

A atitude do tal Odysseus é tipicamente de um ser da mitologia grega, mas não deixa de ser bizarro que entre os doze de ouro, um deles seja um centauro. Os capítulos posteriores revelaram que, na verdade, Odysseus não o transformara em centauro, mas o colocara sob uma poderosa ilusão, tão
poderosa que até os que estavam em volta o enxergava na forma bestial.
Sendo ilusão ou não, mesmo que tenha sido desfeita, tivemos por um bom tempo um centauro cavalgando por ai, disparando flechas e defendendo a casa de sagitário. Não me resta escolha, a não ser ler essa loucura!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Hellyeah

Existem bandas que calam fundo em nossas almas. Bandas que nos dão um prazer imenso ao serem descobertas, que nos fazem pensar “como vivi tanto tempo sem isso? ” A superbanda Hellyeah, que conheci recentemente enquanto passeava por clipes de rock no youtube, teve esse impacto sobre mim.


Formada por membros de outras bandas, o Hellyeah de Heavy metal, com influências de groove e metal alternativo, com um som bem pesado, que varia entre vocais mais agressivos em algumas músicas, e um vocal mais melódico em outras. Formada por Chad Gray, vocalista do Mudvayne; Tom Maxwell, guitarrista do Nothingface; Bob Zilla, baixista do Damageplan; Vinnie, baterista ex-Pantera e atual Damageplan; e Greg Tribbett, guitarrista também do Mudvayne. Um supergrupo que começou a gravar em 2006, já tendo cinco álbuns de estúdio.

Conheci a banda com a sensacional Moth, que me ganhou de tantas formas... o clipe, as expressões que Chad Gray faz enquanto canta me passam uma sensação de dor, assim como sua voz, que parece estar carregada de dor e melancolia. E a letra, calou fundo em meu coração. Uma letra poderosa, forte e profunda, sobre a vida, sobre o quão ruim as coisas podem ser.


Não deu outra, já escutei essa música tantas vezes, e ela sempre tem o mesmo impacto. Já era, estava apaixonado pela banda. Já escutei dois dos 5 álbuns deles, escutei Blood for Blood de 2014 e Unden!able de 2016. Ambos são muito bons, e tem essa variação das músicas, algumas são mais agressivas, e outras tem uma carga de sofrimento em sua melodia, por assim dizer. Black December, Hush, Human e Love Falls foram as que mais gostei. Todas carregadas pelos mesmos sentimentos de Moth, com a voz enrouquecida de Chad transmitindo aquilo que está cantando com muita precisão.


É isso meus caros leitores, espero que tenham curtido o som! Nos vemos no próximo post!

domingo, 2 de abril de 2017

Levantem-se titãs!

Está começando mais uma temporada de animes! Não que eu acompanhe todos os que lançam (embora nessa temporada eu queira acompanhar mais de perto), mas essa já começa com tudo, com os dois pés na porta.
A segunda temporada de Shingeki no Kyojin finalmente chegou! E chegou com tudo. A abertura já chega mostrando o nível que vai ser:




Sensacional. Ação, violência e uma animação frenética como as coisas tem que ser. O primeiro episódio já começa com a revelação de que titãs gigantescos estão dentro das muralhas. Seriam elas feitas de titãs? A igreja aparenta saber a verdade, mas não planeja externa-la.
Em contrapartida, a muralha Rose parece ter sido violada, e titãs começam a aparecer em seu interior. Junto com eles, vem o grotesco titã bestial. Uma mistura de titã e macaco, no anime ele me pareceu bem mais bizarro, com uma pança enorme, e braços finos, mas muito compridos.
Toda a cena de luta, envolvendo o pobre Mike, que ficou para trás para segurar a invasão inicial ficou demais. E é claro, quando o bestial resolve falar, tudo fica sinistro e tenso. Mesmo sabendo como tudo ia se desenrolar, fiquei triste pelo pobre Mike, que teve não só seu corpo, mas sua alma devorada pelas feras.


Os titãs continuam grotescamente animados. Uns mais bizarros que os outros, eles são a personificação do terror. Ao que tudo indica, vai ser uma grande temporada. Grande, porém, pequena, já que somente 12 episódios. A esperança é que seja renovada para mais dois.
Vi uma conversa por aí de que produzir um anime de 26 episódio mantendo a qualidade da animação é algo difícil hoje em dia, então, para que a coisa saia bonita de se ver, como a gente quer, eles optaram por uma temporada menor. Se esse é o motivo, aplausos.
Aproveito pra comentar uma curiosidade. O que não falta é gente na internet agourando o anime, dizendo que agora vai entrar na parte de politicagem, e vai ficar ruim. Engraçado, povo que assiste anime tá acostumado a ver animes iguais naruto, onde crianças são definidas como líderes de suas aldeias, mesmo tendo em seus corpos um demônio de areia, ou tipo o Re:Zero, onde um bando de menininhas de cabelo colorido vão resolver toda a politicagem do reino, e quando algum mangá traz alguma abordagem um pouco mais densa, afinal, temos aqui uma história onde uma grande verdade vem sendo escondida da humanidade, e aparentemente, a igreja e a elite conhecem-na. Isso não tem como se resolver de forma simples. Gente, menos mimimi, se tu não gosta, não fica bostejando por aí.
Tendo ação, ou uma complexa trama política, tenho certeza que irei gostar.



Já Boku no Hero teve um começo bem lento, quase um episódio sumário. Haverá um torneio, um evento esportivo de visibilidade mundial, uma grande chance de ingressar em uma grande agência de heróis. Essa é uma ideia interessante, que os heróis sejam divididos por diferentes organizações, embora esse seja um assunto que provavelmente só será abordado no futuro, me deixou curioso.
Quanto ao torneio, é o clássico de todo Shounen, não é mesmo? Ao que tá parecendo, o anime vai dar um enfoque legal em alguns outros personagens que não tiveram muita participação na primeira (aquele ruivo de gelo), e torneios são sempre uma boa forma de explorar e desenvolver não só poderes, como também as personalidades da galera.
All Might, de longe o melhor personagem desse anime, está ainda pior em sua condição, não conseguindo manter sua forma nem por uma hora direito. Na visão dele, esse torneio é a oportunidade do jovem Midoriya assumir seu lugar como novo símbolo de esperança.
Só espero que nessa temporada ele seja menos chorão. Essa ideia por trás do All Might, e o símbolo de esperança é muito boa. Me faz pensar muito em quadrinhos, mais especificamente na Dc.
Como essa temporada vai ter 26 episódios, vão desenvolver as coisas com mais calma. Tem tudo pra ser uma boa temporada.

Vou ver se falo um pouco dos demais animes que for assistindo em outros posts. Mas não prometo nada, afinal, minha preguiça se tornou algo além de meu controle. Até a próxima!

domingo, 26 de março de 2017

O trailer da Liga

Finalmente estamos perto de termos um filme da liga vindo a existência. Depois de quase atingir um status de lenda urbana, finalmente a Dc tá estabelecendo um universo nos cinemas (embora esse estabelecendo ainda seja questionável).
Caso você seja como eu, preguiçoso pacas, e não viu o trailer ainda, tá aí:




O que o trailer nos diz? Parademônios, o que indica que o bicho já vai pegar logo de cara. Várias cenas onde parece que um exército tá entrando em batalha, então teremos uma invasão de larga escala. Talvez Atlântida envie tropas, ou quem sabe Temiscira.
O tom do filme vai fugir do sombrio. Piadas foram feitas, e embora a fotografia do filme ainda seja bem escura, parece que vão tentar algo mais leve. Mesmo que ainda não tenha simpatizado com o Aquaman do Mamoa, tenho que dar o braço a torcer que ele ficou muito maneiro.
O que me incomodou foi o Cyborg, parece que os efeitos em relação a ele não estão finalizados ainda, o que faz sentido, visto que ainda tá longe da data de lançamento. Já as cenas envolvendo Aquaman e Mulher Maravilha achei bem legais.
Em geral o trailer tem boas cenas de ação, piadas interessantes, não mostrou o Superman revivido (o que hoje em dia é um ponto, o trailer não entregar o plot), mas eu prefiro não me empolgar muito. Trailers estão muito mentirosos ultimamente, e não quero me decepcionar outra vez.

No mais, é isso.  Que a internet se divida, e haja guerra em todos os cantos de comentários, Marvel x Dc, a batalha cresce cada vez mais!

terça-feira, 21 de março de 2017

Eu tenho... Você não têm

           Salve, salve pessoas perdidas pelo cosmo da internet, recentemente tentei fazer alguma coisa pro vazio canal deste blog no youtube (que por sinal tem tão poucos inscritos, me ajuda ai vai), mas caí numa armadilha de direitos autorais, e a exibição do mesmo ficou bloqueada em 264 países, inclusive o nosso.
Contrariado, após horas tentando renderizar e upar o krai de asa do vídeo, fiquei uns bons dias matutando uma forma de trazer o conteúdo de uma forma que não dê o mesmo problema, ou quem sabe, postar alguma coisa por lá. Mas todas as ideias se revelaram deveras trabalhosas, e eu acabei não saindo da prancheta até então.
A verdade é que ultimamente eu ando tão preguiçoso, que nem água direito eu tô tomando. Fico largado em um canto mais fresco da casa, variando entre besteiras no Facebook ou notícias no Flipbolard, com preguiça de ler ou assistir algo relevante.
A minha preguiça me mostrou essa incomum propaganda do Bob’s, com a Preta Gil:




Eu não me dei o trabalho, e nem me darei (inclusive se alguém comentar, eu não vou ler o comentário) de pesquisar sobre como chegamos nessa história de Hambúrguer da Preta, mas naquela hora da madrugada, o dia já tinha sido perdido em devaneios, resolvi dar uma olhada nos comentários da dita cuja.
A guerra estava instaurada. Pelo visto, as pessoas não gostam muito da Preta Gil, e o mundo se dividiu entre os que queriam criticar o carácter da mulher, e aqueles que queriam criticar aqueles que estavam criticando. Sim, vivemos dias confusos.
Existe dois comentários meus escondidos em meio aos 1,6 mil, quem achar primeiro ganha um encadernado do Watchmen, não sei quando mas vai ganhar
Outra coisa que me chamou a atenção por lá, foi uma observação feita por um dos “atentos internautas” sobre o olho da mulher, e realmente, durante o decorrer da propaganda, eles se desigualam de uma forma engraçada.
Mas que diabos alguém teria inveja de um lanche do Bob’s, Preta Gil? Se fosse Milk Shake, ai a história seria outra.



Mas que postzinho mais nada a ver hein? Éééé... que tal uma música pra compensar?





quarta-feira, 8 de março de 2017

Logan

A Fox nos torturou. Por longos anos, atirou em nossas costas filmes ruins envolvendo os X-men, o Wolverine e o pobre Quarteto Fantástico, e era consenso que ela deveria devolver os personagens para a Marvel, que até então vinha conquistando nossos corações.
Mas o que aconteceu? A Marvel nos cansou com seus filmes, todos seguindo a mesma maneira de contar história, que mesmo depois de uma guerra civil, parecem não haver consequências. Ênfase no “parecem”, pois as consequências estão lá, só que o próprio filme as amenizam.


E aí um projeto de baixo orçamento fez a Fox finalmente entender que alguns heróis não são tão heroicos assim. E que o público está louco por um filme mais violento e sombrio envolvendo qualquer personagem de hqs.
Depois de dois filmes desastrosos do Wolverine, quando já não havia mais esperanças, Logan surgiu. Os primeiros trailers mostravam uma proposta diferente, mas diabos, quem acredita em trailer hoje em dia? Quando as primeiras críticas começaram a sair, pensei “tão exagerando, não é possível que esse filme seja tão bom! ”
Nunca fiquei tão feliz em estar enganado. Já logo nos primeiros minutos, quando Logan se envolve numa briga e responde com uma fúria e violência que até então eram apenas sonhos em nossas cabeças de nerd, eu me dei conta de que aquele era sim, um filme foda.

Logan está longe de ser um mocinho, ou herói, passa o filme todo querendo se livrar da Laura e da responsabilidade que ele tem com a pequena. Passa o filme todo andando torto, sentindo dor, praguejando e amaldiçoando tudo à sua volta, e quando luta, luta feito um animal selvagem, rasgando e dilacerando quem entre em seu caminho.
Ele dilacera seus inimigos em uma violência que me faz vibrar. Era esse o personagem que todos nós passamos esses anos todos querendo ver, um bruto com mini espadas em suas mãos, que dilacera o rosto antes de perguntar qualquer coisa.
E essa brutalidade se estendeu até a pequena e selvagem Laura. A x-23, com garras nos pés e poucas palavras, uma máquina de matar que não precisa ser protegida, mas que sabe muito bem se cuidar.
Como se já não fosse o bastante, ainda temos o quebrado professor Xavier, totalmente destruído. Seus ataques o fazem perder o controle, e ele simplesmente transforma em patê os cérebros alheios. Uma bomba relógio controlada por remédios.
E não posso me esquecer do Caliban, o albino rastreador que aceitou ajudar Logan, e só se deu mal por conta disso.
O filme tem um tom de tristeza, tudo deu errado, todos estão mortos. A dor tanto do Logan, quando do Xavier, fica muito evidente em seus olhares, um show de interpretação Hugh Jackman e
Patrick Stewart, que em cada diálogo nos fazem sentir cada vez mais a dor de viver naquele mundo cinzento.
Os dois tem uma dinâmica muito boa, ambos viram tudo dar errado, e ambos se arrependem
das escolhas que tomaram. No fundo, só querem ter paz, e poder sentar em uma mesa, com as pessoas que amam, sem serem caçados todos os dias.
O filme dosa bem, cenas de ação frenética, que nos fazem grudar na cadeira do cinema, e com o respiro, mostrando em cenas calmas e cheias de diálogo, o quão profundos esses personagens são.
No fim, o mundo não está em perigo, Logan não vai salvar heroicamente as pessoas de um grande vilão megalomaníaco que quer refazer a humanidade. É só um conflito que nem sequer sairá nos jornais, uma batalha crua e sangrenta da qual ninguém naquele mundo irá se lembrar. Uma história simples, porém, que cala fundo em nossos corações.



Com o subir dos créditos, na certeza de que finalmente entenderam que heróis também podem ser voltados para adultos, só consigo bater palmas e agradecer ao maluco do Deadpool e ao Ryan Reynolds, por abrirem caminho pra este belo filme, que mesmo sem um único uniforme, conseguiu ser um dos melhores filmes de herói que já assisti. Com a Marvel ditando o caminho, e a Dc tentando acompanhar,  ver um filme com uma abordagem diferente pode acabar mudando as regras do jogo.

sábado, 4 de março de 2017

Torne-se uma garota mágica, Pon!

Desde que assisti Madoka Magica (se você nunca ouviu falar, clique aqui), sempre que surge um anime sobre garotas mágicas com uma proposta mais sombria eu tendo a prestar atenção. Lançado na temporada de outubro de 2016, contando com 12 episódios, Mahou Shoujo Ikusei Keikaku, baseado em uma light novel, chegou prometendo sangue e violência envolvendo as coloridas bruxinhas.


O anime conta sobre a pequena Koyuki Himekawa, uma menina que desde sempre amou animes de garotas mágicas, e seu maior sonho sempre foi se tornar uma. Em sua cidade, rolam boatos de que garotas mágicas realmente existem, e elas tem sido avistadas cada vez com mais frequência.
E pra deixar a boataria ainda mais interessante, existe um joguinho de celular, que se não me engano, chama ikusei keikaku, que tem o poder de transformar as pessoas em garotas mágicas de verdade. É claro, Koyuki joga freneticamente esse jogo.

E pra sua surpresa, um bichinho chamado Pon surge, saindo de seu celular, e declara que ela foi escolhida para se tornar uma garota mágica! Então, Koyuki se converte em Snow White, e recebe a missão de cuidar de seu distrito, ajudando quem precisar.
As garotas mágicas recebem doces ao final de cada boa ação. E Snow White logo se torna a mais pontuada de todas as garotas mágicas, ganhando quantidades absurdas de doces todas as noites.
A protagonista começa a interagir com as demais garotas mágicas, nos apresentando aos demais personagens. Cada garota mágica tem um tipo de magia, e personalidades bem distintas. Ao todo, existem dezesseis delas, atuando na região.
E é aí que a história começa. Uma suposta crise no setor mágico fará com que o número de garotas mágicas deva ser diminuído pela metade, toda semana, a que tiver menos doces será demitida. E a demissão, como elas descobrem depois, significa... morte.


Sobreviver, custe o que custar, elas se dividem em grupos, entre as que não querem o conflito, as que irão matar se for preciso, e aquelas que só querem ver o circo pegar fogo. A situação vai degringolando, e as meninas vão se enfrentando, em combates cada vez mais violentos.
A proposta do anime é muito interessante. As temáticas em que ele se propões a trabalhar também são, cada menina tem um background de peso, mas a maioria, por existirem dezesseis personagens, acabam sendo abordados de maneira rasa. O anime também é cheio de momentos tensos e realmente tristes, mas também tem suas contrapartidas, com momentos em que tudo não parece ser mais do que desculpa pra violência gratuita.
É muito legal ver as lutas, como cada uma só tem uma habilidade, elas bolam uma estratégia de como melhor usar essa habilidade.  As reviravoltas nos resultados das lutas também são bem interessante, sendo que nem sempre a mais forte vence o combate. Foram várias as lutas que me surpreenderam no final.
Snow White é uma péssima protagonista, não moveu a trama em momento algum, não fazendo nada além de chorar. Precisando sempre ter alguém para protege-la, ela não fez nada, mas nada mesmo. Acho que deve ser a protagonista mais inútil que já vi.


Alguns personagens se destacam, como a Swin Swin e Ripple, cuja evolução durante o anime é visível. Mas não posso deixar de admitir, que a maioria me irritou profundamente, principalmente Calamity May, que só se achava a fodona.
Por ter seus bons momentos, mas acabar sendo muito raso na história, talvez pelo alto número de personagens (dezesseis personagens para doze episódios) o anime acaba não impactando muito, e o excesso de violência te deixa anestesiado em certo momento. Mas ainda assim, é um bom anime, vale a pena ver. É curtinho, rapidin termina.

Mahou Shoujo Ikusei Keikaku, leva um honesto 7.